No início deste mês, autoridades alemãs notificaram casos graves de infecção por uma bactéria denominada Escherichia coli, cuja fonte de infecção especulava-se ter sido os pepinos importados da Espanha. Todavia, pesquisas específicas mostraram que a origem não era os pepinos espanhóis, o que chegou a gerar um certo desconforto diplomático entre os dois governos.
Até o momento foram confirmadas pelo menos 30 mortes pela bactéria, que segundo a OMS pertence a uma variedade (cepa) até então desconhecida, provavelmente proveniente da mutação entre duas outras cepas patogênicas, gerando uma forma híbrida nova com grande potencial para letalidade.
Por outro lado, bactérias da espécie Escherichia coli são muito comuns. Pertencem a um grupo de bactérias que denominamos coliformes fecais, e são facilmente encontradas no intestino de homens e animais. Assim, a transmissão geralmente acontece pelo consumo de água ou alimentos contaminados com coliformes fecais, principalmente aqueles alimentos que são consumidos crus ou com casca.
As infecções por Escherichia coli são geralmente assintomáticas, mas há cepas que podem provocar quadros de toxinfecção alimentar de graus variáveis, podendo levar desde quadros de diarréia leve e auto-limitada até quadros graves de infecção generalizada e morte, que estão geralmente relacionados às cepas enterohemorrágicas de Escherichia coli. As cepas enterohemorrágicas são consideradas o grupo mais letal, do qual pertence a nova variante descrita no surto europeu.
Felizmente, esta nova cepa ainda não foi identificada no Brasil, e os casos de infecção por Escherichia coli enterohemorrágica são de certa forma raros no em nosso país. Entretanto, com o encurtamento das distâncias oferecido pela facilidade de acesso aos transportes aéreos e viagens internacionais cada vez mais frequentes, não se descarta a possibilidade de que esta nova cepa chegue ao Brasil. Por outro lado, não sabemos ainda como a nova Escherichia coli se comportaria em competição natural com os demais coliformes fecais encontrados em nossa água. Não sabemos que dimensão ela tomaria, nem se seria rejeitada pela natureza por mecanismos de seleção natural.
Portanto, não há motivo para pânico, mas podemos fazer nossa parte na prevenção desta doença. Para isso, basta ficarmos atentos a alguns cuidados básicos:
- Lavar meticulosamente as mãos antes do preparo ou consumo de alimentos;
- Lavar as verduras, frutas e legumes com detergente e água corrente;
- Preferir o consumo das verduras e legumes cozidos ao invés de consumi-los crus;
- Preferir descascar as frutas antes de consumi-las;
- Quando não for possível o cozimento, deixar as frutas, verduras e legumes de molho em solução de hipoclorito de sódio. O hipoclorito de sódio é geralmente vendido em forma de pastilhas ou frasco conta-gotas e pode ser adquirido nas farmácias ou mercados. Tempo de molho e modo de preparo dependem da apresentação do produto e devem ser informados em seu rótulo. Não se esqueça de enxaguar bem os alimentos com água corrente depois do molho;
- Usar apenas água potável para consumo e preparo de alimentos.
OBS.: Concedi uma entrevista sobre o surto de Escherichia coli ao Programa Revista Jovem, da Rádio Catedral FM (106,7 MHz no Rio de Janeiro). O programa foi ao ar no último sábado, mas estará disponível no site do programa até o dia 26/06/2011 no link a seguir:
Thiago L. Mamede
CRM 5275445-5
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